O
corpo dentro do corpo
A
alma que precede o sopro
A
montanha que não tem topo
Do
peso que cai ao baque morto.
Letes
sem fim com três mil margens
Diáfanas
luzes a produzir miragens
Bruma
leitosa a transluzir imagens
De
formas sem traços, apenas passagens.
Caminhar
lento e compassado
De
seu próprio ritmo vassalo
A
deixar pegadas no chão aquático
A
montar a carne, pedaço por pedaço.
Destino
sereno de voz branda
Leve
sobe ao céu e mais leve canta
Cada
pio um uivo assoviado que amansa
As
palpitações febris da pele que ama.
Olhar
andarilho que vagueia
De
alto a baixo, do solo ao céu permeia
O
éter fresco da manhã clareia
As
faces incólumes de lacrimosas sereias.
Areia
macia de impacto surdo
Chama
as ondas do mar absoluto
E
com a espuma das águas turvas
Concebem
a beleza inocente e pura.
O
olhar dentro do olho
O
coração-oceano vítreo e revolto
A
alma a vestir-se só de corpo
a
encontrar no próprio ser, um outro.
