sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Círculo quadrado


O corpo dentro do corpo
A alma que precede o sopro
A montanha que não tem topo
Do peso que cai ao baque morto.

Letes sem fim com três mil margens
Diáfanas luzes a produzir miragens
Bruma leitosa a transluzir imagens
De formas sem traços, apenas passagens.

Caminhar lento e compassado
De seu próprio ritmo vassalo
A deixar pegadas no chão aquático
A montar a carne, pedaço por pedaço.

Destino sereno de voz branda
Leve sobe ao céu e mais leve canta
Cada pio um uivo assoviado que amansa
As palpitações febris da pele que ama.

Olhar andarilho que vagueia
De alto a baixo, do solo ao céu permeia
O éter fresco da manhã clareia
As faces incólumes de lacrimosas sereias.

Areia macia de impacto surdo
Chama as ondas do mar absoluto
E com a espuma das águas turvas
Concebem a beleza inocente e pura.

O olhar dentro do olho
O coração-oceano vítreo e revolto
A alma a vestir-se só de corpo
a encontrar no próprio ser, um outro.

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