Direcionar
uma prece
O
cálido encanto cristalino
das
coisas novas
Um
saber místico que precede
O
caminho escolhido pela fumaça
De
um cigarro
A
quebra, a rachadura, a fenda
No
que chamamos realidade
Ver
pela fresta
Sentir
a fresca brisa que vem
Me
levar
Me
conduzir por notas musicais
Assim,
líquidas, quase frias
Escutar
a vida
Colar
o ouvido na parede e escutar
Por
trás da porta
Subterrâneos
pensamentos
Lençóis
freáticos de palavras
Sensações
palpáveis
O
dobrar dos sinos
O
sinal da cruz
A
direção de uma prece
Colocar
a mão na água e senti-la fluindo
Um
impacto mudo
Um
corpo em movimento
A
aspereza e a maciez
O
toque
E
o tato, a pele,
Por
entre os cabelos
Afagando
Um
devaneio desnorteado, cego
Mergulhar
nesse novo mundo de treva e incerteza
Prender
a respiração na hora exata
É
a prática
De
sair de mim sempre que possível
minha
alma vestida de corpo, sob medida
somos
solúveis nas águas do tempo
deixamos
como rastros o gosto do sal
sólidos,
inertes, à deriva
patinando
sobre gelo fino
derrapamos,
desfiladeiro abaixo
tentativas
e tentativas
colar
de novo o ouvido, no peito
as
batidas do coração
regulares,
cotidianas, mas não está ali
nem
na contração dos músculos
nem
no sangue
nem
nas glândulas
nem
nas veias
nem
nos nervos
está
no próximo
na
conexão instantânea
precisa
sem
necessitar de força
é
como se fosse natural
assim,
assim
qualquer
coisa de orvalho
e
cheiro de café
qualquer
coisa de suspiro
e
cefalópodes
qualquer
coisa de angelical
e
declarações de amor
é
afundar os pés na areia
da
praia
e
estabelecer contato
com
todas as consciências do planeta
pegar
o meu pequeno âmago de Deus
e
colocá-lo em sintonia
com
todos os âmagos do universo
é
cósmico
psicodélico
sensorial
é
todas-as-palavras-escorridas-
da-minha-boca-frouxa-trêmula-
quando-te-olho-vindo
é
gotas
grossas de chuva caindo no rosto nu
encharcando
sem molhar
as
roupas grudadas ao corpo
exíguo
corpo
amargo
gosto
na
língua seca
nas
palavras que não saem
escapam
à vontade da mente
rolam
pela pele
e
caem em poças de significados
pedaços
de sentidos,
fragmentos
de ideias
porções
de pensamentos
um
caldeirão fumegante
a
vida liquefeita
e
fosca, translúcida
refratando
feixes de luzes
indomáveis
galopantes
brilhos vítreos
sobre
águas ferozes
cristalinos
encantos de sereias
submersos
silêncios de náufragos
sussurros
macios de histórias mal contadas
sombras
esvoaçantes em quadros obscuros
de
terras revoltas
beijos
sôfregos
afogados
afogados
afogados

Lindo!
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