terça-feira, 14 de julho de 2015

Olhos de gato



Órbitas que podem ocultar galáxias
Na mole textura de ouro derretido
Revelam pouco a pouco o parentesco
Com seres de um mundo já esquecido.

São fendas de abismos grotescos
Engolindo feito buracos negros
A sombra de qualquer vertigem.
Em um universo composto de espectros

Desvela o véu de noiva da origem.
Ouve-se o surdo gemido de animal
A ecoar pelos corredores abandonados
No tempo de uma memória ancestral.

Ouvem-se dos cadáveres os sussurros gritados
Na fúria envolta de lágrimas e artérias
Rompidas nas batalhas do destino
A absorver toda a chama da matéria.

E me vê com sombrio ar felino
Como num espelho só de vento
Que resiste à força monstruosa
E infindável do pensamento.

E perscruta minha figura silenciosa
E eu me vejo em seus olhares
A refletir os passados rituais
De egípcios fantasmas milenares

E nos encontramos nas noites siderais
E nascemos juntos no mistério
Que envolve toda morte e toda a vida
Na linha tênue do espaço etéreo.

E morremos juntos na ferida
Que atravessa a alma lentamente
Teremos mesmo fim patético
Na metempsicose. Frente a frente.  

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